Celebrado em 20 de outubro, o Dia Mundial de Combate ao Bullying ilumina um problema silencioso que atinge quatro em cada dez adolescentes brasileiros. Prevenir bullying, mostram as pesquisas, é criar lugares onde a diferença é acolhida — e é exatamente aí que projetos incentivados, sustentados pelas leis de incentivo fiscal, já fazem a diferença todos os dias.
Nas escolas, nos ônibus, nos corredores e, cada vez mais, nas telas dos celulares, o bullying se repete em silêncio. É a piada que virou rotina, o grupo do qual um único colega fica de fora, o insulto que ninguém viu acontecer. Chama-se bullying a intimidação sistemática — física, verbal ou psicológica — que expõe a criança e o adolescente de forma repetitiva, intencional e desigual: de um lado, quem ataca; do outro, quem não tem força para se defender.
Neste 20 de outubro, o Brasil e o mundo voltam os olhos para essa realidade. E os números mostram que ela é maior — e mais silenciosa — do que se imagina.
O que dizem os números
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, 39,8% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já sofreram bullying na escola. Entre as meninas, o percentual sobe para 43,3%. Quase um terço das vítimas — 30,2% — apontou a aparência do rosto ou do cabelo como o principal motivo das agressões. Nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa, mais de um quarto dos estudantes vivenciou situações recorrentes de bullying: um índice que cresceu 23% em relação à edição de 2019.
O fenômeno também mudou de lugar. Um em cada oito adolescentes (12,7%) já sofreu bullying cibernético nas redes sociais — e, quando o agressor age por trás de uma tela, o alcance e a permanência das agressões se multiplicam. No mundo, a conta não é menor: segundo o UNICEF, uma em cada três crianças entre 13 e 15 anos é vítima regular de bullying.
A gravidade do tema já encontrou resposta no país. A Lei nº 14.811/2024 tornou o bullying e o cyberbullying crimes e passou a exigir protocolos de prevenção e enfrentamento da violência nas escolas. Mas a lei alcança apenas parte do caminho: prevenir bullying, na prática, é construir uma cultura. É o tipo de trabalho que não se decreta — se educa.
A diferença como alvo
O dado mais eloquente da PeNSE é o motivo. O bullying atinge, antes de tudo, quem é diferente — pela aparência, pela condição, pelo jeito de ser. É a criança com deficiência que ninguém convida para brincar no pátio. É a menina cujo cabelo desperta piadas cruéis. É o adolescente em tratamento de câncer, com o corpo transformado pela doença, que vira alvo pela única razão de sobreviver a algo difícil. É o jovem escarnecido pela sua origem, pela sua família ou pelo seu jeito.
Quando a diferença é tratada como defeito, o bullying deixa de ser caso isolado e vira sintoma de um ambiente. É por isso que a resposta precisa ser inclusão: lugares onde estar diferente é normal, e ser acolhido é regra.
O que funciona: pertencimento é fator de proteção
As pesquisas e as organizações internacionais apontam um consenso: o bullying recua quando existem vínculos com adultos de referência, habilidades socioemocionais e espaços coletivos onde o pertencimento é explícito. O esporte ensina respeito às regras e colaboração. A arte e a literatura abrem caminhos para discutir a diferença sem juízo. Atividades coletivas transformam “o outro” em “nós”.
São exatamente esses espaços que muitos projetos sociais incentivados constroem — e que, sem apoio, nem sempre existiriam.
Onde entram os incentivos fiscais
Não existe uma lei que se chame “incentivo ao combate ao bullying” — e é justamente por isso que a conexão precisa ser explicada. Ela é real, mas funciona por dentro: as leis de incentivo fiscal financiam, na ponta, os lugares e as práticas que produzem os fatores de proteção contra o bullying.
Por meio do Fundo da Infância e da Adolescência (FIA) e dos fundos de proteção à criança e ao adolescente (FUMCAD), da Lei de Incentivo ao Esporte, da Lei Rouanet e de programas como o Pronas/PCD, empresas patrocinadoras direcionam parte do Imposto de Renda devido a projetos de educação, cultura, esporte e assistência social. Em cada um desses campos há projetos que trabalham — direta ou indiretamente — com o que a ciência aponta como antídoto ao bullying:
- Oficinas socioemocionais, que desenvolvem empatia, escuta e resolução não violenta de conflitos;
- Arte como espelho: teatro, contação de histórias e literatura que discutem a diferença e o pertencimento — como projetos que levam livros e leitura a crianças em situação de vulnerabilidade;
- Esporte com valores: judô, futebol, ciclismo e atividades coletivas que traduzem respeito, disciplina e cooperação em repertório de convivência;
- Esporte e cultura inclusivos, que garantem à criança com deficiência o direito de ocupar o centro da cena, e não a margem;
- Acolhimento a quem é alvo: programas de saúde e assistência que oferecem às crianças em tratamento — como no universo do Hospital de Amor — proteção, dignidade e pertencimento em um momento de extrema fragilidade;
- Campanhas educativas que, apoiadas em datas como este 20 de outubro, transformam beneficiários em protagonistas da mensagem contra a violência.
Nenhuma dessas ações substitui os protocolos escolares exigidos por lei. Mas cada projeto incentivado que desenvolve empatia, inclusão e vínculos amplifica exatamente aquilo que os protocolos, sozinhos, não conseguem criar: uma cultura em que excluir alguém é inaceitável.
O "S" do seu ESG, na prática
Para as empresas patrocinadoras, apoiar esses projetos é transformar um compromisso declarado em resultado mensurável. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), encomendado pelo Fonif, estima que as entidades filantrópicas retornam à sociedade 3,23 vezes o valor da imunidade tributária que recebem. E há retornos que não cabem em número: o colaborador que se orgulha da empresa onde trabalha, a comunidade que reconhece a marca, o relatório ESG que prova impacto — não discurso.
No Dia Mundial de Combate ao Bullying, fica uma reflexão simples: o imposto que a sua empresa já pagaria pode virar oficina de artes, quadra, biblioteca, acolhimento. Pode virar, literalmente, o lugar em que uma criança deixa de ser alvo e passa a ser abraçada.
A Terra Incentivos Fiscais caminha ao lado de projetos e empresas que fazem essa travessia todos os dias — transformando impostos devidos em impacto social real.
Fontes consultadas: IBGE (PeNSE 2024); Agência Brasil; Presidência da República (Lei nº 14.811/2024); UNICEF; Ministério Público do Paraná; FIPE/Fonif.